quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

>> buscando melhorias - I
Os técnicos do Senado não dão conta da demanda...


x Os técnicos da Prodasen, a empresa de informática do Senado Federal, recebem 4.500 pedidos de manutenção de sistemas por mês, e a demanda cresce. Toda vez que o Senado muda uma regra do orçamento ou a cada nova CPI, eles têm de mexer em sistemas; e logo terão de construir sistemas para controlar as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas. É muita coisa para 50 desenvolvedores.
x Ainda por cima, dos 240 funcionários da Prodasen, 57 devem se aposentar este ano. A maioria trabalha na Prodasen há anos e está na faixa dos 52 anos de idade. Com técnicos mais velhos, diz Carlos Magno Cataldi Santoro, analista consultor do Senado, “a capacidade de produção com ferramental novo cai muito”.
x No ano passado, Magno colocou alguns técnicos em cursos de Java — e alguns se saíram bem. Mas ele tem lido estudos sobre treinamento: leva dois anos para formar um bom programador Java, e só 30% de uma classe chega lá. “Não é algo promissor, ainda mais para caras com 50 anos.” A crise econômica prejudicou os treinamentos, porque a maioria dos cursos acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro, e as viagens estão canceladas.
x Para construir sistemas mais modernos para o Senado, Magno então pensou em contratar uma fábrica de software, mas desistiu por causa dos escândalos no Senado — muita gente interpretaria mal um gasto desses, não essencial, numa época de tantas denúncias.


>> buscando melhorias - II

... decidem usar robôs que geram códigos sozinhos...


x Hoje em dia, os técnicos da Prodasen compram pronto tudo o que podem; foi assim com o sistema de recursos humanos e com o de contratos administrativos. Mas nem sempre foi assim, e por isso eles mantêm sozinhos quase todos os outros sistemas (120 ao todo, que rodam na própria Prodasen).
x Para ajudar, Magno pensou em usar sistemas-robôs, que geram código Java sozinhos: os técnicos do Prodasen fariam a modelagem do sistema e o robô geraria o código. “A grande vantagem é usar gente que não consegue se atualizar.” Eles já construíram um aplicativo piloto usando um robô desses — e funcionou, diz Magno.
x No entanto, treinar técnicos mais velhos em Java e usar geradores automáticos de código só resolvem parte do problema. O verdadeiro problema é outro — a equipe de TI deveria ter um cronograma de produção, harmonizado com as necessidades estratégicas do Senado. Em outras palavras, os usuários precisam se organizar e ajudar. Como o Senado muda de presidente a cada dois anos, a TI sofre com a descontinuidade da estratégia. “Nós somos o reflexo dos usuários. Se eles não se dispõem a planejar conosco, a TI não consegue ir à frente.”


>> buscando melhorias - III

... e preparam um planejamento estratégico de TI.


x No final de 2009, Magno decidiu escrever um plano para mostrar à alta direção as demandas de TI. Desde então, os técnicos levantam as necessidades do Senado setor por setor. Depois, vão definir até que ponto cada setor precisa de sistema, e tem força para levar o projeto adiante. Eles já terminaram o plano da secretaria geral e trabalham o plano da secretaria de comunicação social. Quando acabarem, vão rever o plano anual da TI.
x Com o plano anual, Magno espera que o colegiado perceba como a TI está sobrecarregada, desfalcada e desatualizada, e que, portanto, eles precisam ajudar a reestruturar a área de TI, a priorizar os projetos.
x Já existe um projeto para reestruturar o Senado Federal e também a área de TI: ela sairia de debaixo da diretoria geral, e ficaria diretamente ligada à mesa diretora, com participação no conselho de administração. O projeto já foi lido em plenário e na comissão de constituição e justiça.
x Por um lado, diz Magno, a reestruturação é ruim, pois a TI terá de pedir a autorização da mesa diretora sempre que fizer algo novo, ou seja, terá de competir com todo o resto do Senado, pois todo mundo tem de passar pela mesa diretora. Por outro lado, a reestruturação é boa, pois só as áreas mais importantes do Senado estão ligadas diretamente à mesa diretora. “Se a gente conseguir que o Senado faça um planejamento bem-feito, pode ser bom.”

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

>> regras de compra
A SLTI prepara mudanças para a instrução normativa nº 4

xxNazaré Lopes Bretas, diretora do departamento de integração de sistemas da Secretaria de Logística e TI do Ministério do Planejamento, pretende reescrever alguns trechos da instrução normativa n° 4. O governo publicou a IN 4 há um ano, mas o funcionário público responsável pela TI ainda tem dúvidas ao redigir contratos: quem é responsável, o jurídico, o usuário ou os técnicos? É preciso criar outro comitê para gerir os contratos?
xxA IN 4 foi publicada em maio de 2008 para obrigar os profissionais de TI dos órgãos do governo federal a comprar produtos e serviços de informática e telecomunicações com maior cuidado. Pela IN 4, os profissionais deveriam comprar TI de acordo com os planos estratégicos do órgão em que trabalham, deveriam seguir um plano diretor de TI, deveriam controlar os contratos e os fornecedores.
xxNazaré, assim como outros diretores da SLTI, queria todos os órgãos adaptados à IN 4 até 2 de janeiro de 2009. Mas, conforme os meses se passaram, ficou claro que os profissionais de TI não conseguiriam realizar as mudanças a tempo. Então, em 31 de dezembro de 2008, a SLTI publicou a portaria n° 11, esticando o prazo. O documento trazia ainda explicações sobre o que é um plano diretor de TI, sobre como diagnosticar as necessidades de TI, como gerir os funcionários ou avaliar os serviços.
xxSegundo Nazaré, muitos órgãos escreveram um plano diretor e criaram comitês para ajudar na gestão da TI, mas mesmo assim ainda têm dúvidas sobre como mudar os contratos ou exigir prazos dos fornecedores. “O que a gente mais queria, que era integrar a TI dentro dos ministérios, está acontecendo.” Falta simplificar a questão de contratos, definir as etapas de contratação de serviços e os papéis de cada um. “São algumas das coisas que, no texto original, causam dúvidas.”
xxNa IN 4, a SLTI cita a área demandante (o ministro ou o órgão que precisa de uma solução de TI), a área de TI e a área de contratos e licitações. Contudo, quando um ministério quer contratar uma fábrica de software, os gestores de TI não sabem quem deve controlar o contrato: a TI, o demandante ou a área de contratos? Da forma como a IN 4 está escrita, alguns gestores pensaram que deviam criar um outro comitê (além do de TI) para a função. “Vamos esclarecer que isso é entre o comitê de TI e a área de TI.”
xxA nova versão da IN 4, diz Nazaré, deve ficar bem parecida com a versão de hoje, só que mais clara. Por enquanto, um grupo estuda as dúvidas dos gestores de TI e reúne os dados; logo no começo de 2010, Nazaré deve fazer algumas audiências públicas; e só depois irá lançar a IN 4 versão 2010. Ela planeja o lançamento para maio, quando a instrução normativa faz dois anos.

>> mudança de realidade - I
A SLTI tenta estruturar a TI do poder executivo...

xxPaulo Roberto da Silva Pinto tenta estruturar a TI do poder executivo, que inclui a presidência, os ministérios, as secretarias, as universidades, as autarquias, as agências reguladoras e todos os órgãos federais. “Meu desafio é tirar a TI do subsolo e levá-la, pelo menos, para o 1º andar.”
xxEle já foi secretário de TI do Supremo Tribunal Federal. Hoje, o STF recebe eletronicamente os processos de outros tribunais, os ministros assinam os processos com certificado digital, e as pessoas acompanham os processos pela Internet. “Nas entrevistas”, diz Paulo, “os ministros citam os sistemas de informática.” Por isso, pela sua experiência no STF, ele foi convidado por Rogério Santanna, secretário de logística e tecnologia da informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, para integrar as áreas de informática de todos os órgãos do governo federal. “Para fazer a TI trabalhar em rede.”
xxEm algum momento, a TI no governo federal perdeu importância. Ficou sem técnicos, ou com técnicos antigos e destreinados; ficou com máquinas velhas, rede ruim, sistemas desintegrados; ficou sem planejamento, sem cumprir as necessidades dos usuários. Perdeu o respeito.

>> mudança de realidade - II
... por isso, contrata 480 técnicos para trabalhar com governança de TI...

xxPaulo tenta montar um planejamento estratégico para os departamentos de TI dos órgãos do governo federal; visita as secretarias, estuda os planos plurianuais. Como apoio, ele tem a instrução normativa nº 4, que desde janeiro de 2008 obrigou os executivos de TI a comprar produtos ou contratar serviços de TI seguindo boas práticas de gestão. Desde então, os executivos de TI se mexeram para se adaptar à IN 4. Mas apenas publicar a normativa é insuficiente para mudar a realidade dos órgãos.
xxOs órgãos públicos são formados por funcionários que trabalham lá há anos, e se acomodaram no trabalho. Poucos entendem de governança de TI. Por isso, Rogério Santanna convidou Paulo Pinto para estruturar as áreas de TI. Logo depois, em 2008, a SLTI conseguiu aprovar a contratação de 350 técnicos, que pretende distribuir entre as áreas de TI dos órgãos do poder executivo.
xxContudo, por conta da crise, a SLTI só contratou 230 técnicos. Além desses, remanejou outros 250 técnicos de dentro do próprio governo para trabalhar, exclusivamente, com governança de TI.
xxEles receberam gratificações até chegar ao salário de R$ 6 mil. Com esse salário, alguns deles passaram a ganhar o dobro do que ganhavam antes; é uma tentativa, diz Paulo, de segurá-los no governo por pelo menos um ano. Ao final desse período, eles serão avaliados: os que realmente melhoraram a governança da TI, permanecerão com as gratificações.

>> mudança de realidade - III
... e os prepara para um encontro casual com o ministro.

xxEsses 480 novos técnicos estão fazendo cursos na Escola Nacional de Administração Pública — sobre a instrução normativa n°4, boas práticas de TI, entrega de serviços, gestão de contratos. Eles também aprendem a mexer no Oasis, um software livre criado e usado pelos técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para gerir os contratos de TI.
xxComo a escola de administração não tinha muitos professores de governança de TI no governo, ela convidou os executivos que se destacavam no mercado; entre eles, o próprio Paulo Pinto, da SLTI. Em janeiro de 2010, os 480 técnicos assumem suas novas funções.
xxAlém das aulas, Paulo faz exercícios lúdicos com alguns técnicos. Um deles se chamava TI vira nos 30 (para soar como te vira nos 30), uma alusão ao quadro do programa Domingão do Faustão, da TV Globo; no exercício, o técnico tem de dizer, em 30 segundos, por que a TI é importante e merece investimentos.
xxO objetivo do exercício, diz Paulo, é preparar o técnico para um encontro casual com algum dos ministros do governo federal, no elevador, por exemplo. Os técnicos do poder executivo, ao contrário dos técnicos do Supremo Tribunal Federal, raramente conversam com um ministro — e nenhum ministro do executivo cita os sistemas de TI nas entrevistas.

>> intragov
Ninguém vence o pregão e São Paulo vai fazer nova licitação

xxDouglas Viudez, diretor de produção e serviços da empresa de informática do estado de São Paulo (a Prodesp), não conseguiu contratar a nova Intragov, a rede que interliga os órgãos públicos nas 645 cidades do estado. O contrato que a Prodesp tem com a Telefônica vence em 2011 e, para manter o serviço sem interrupção, Douglas precisava contratar o serviço logo.
xxEle conseguiu marcar o pregão para 1° de dezembro, às 9 horas, no auditório da própria Prodesp. O representante da Telefônica entregou uma proposta de preço ao pregoeiro, assim como o da Embratel. Mas o da Embratel não cumpriu o ritual pelo qual a empresa reafirma que sua proposta está de acordo com os termos do edital — e a operadora foi desclassificada.
xxO representante da Telefônica, por sua vez, baixou três vezes o preço inicial da proposta, mas nenhuma delas satisfez o pregoeiro, que decidiu suspender o pregão até sexta-feira, dia 4.
xxContudo, na sexta-feira, o pregoeiro cancelou o pregão. Ele não aceitou o valor mais baixo oferecido pela Telefônica, de R$ 9,5 milhões por mês, que estava, segundo ele, acima do que o governo pretende pagar.
xxNo edital, a Prodesp exigia uma velocidade máxima maior para a Intragov (de 2,5 Gbps, contra 1 Gbps antes); exigia que a operadora aceitasse ordens de serviço via portal, assim como colocasse no portal todas as informações sobre a gestão da rede; exigia ainda que a operadora colocasse, no mínimo, oito engenheiros dentro da Prodesp, além dos sistemas de gestão para que eles visualizassem toda a Intragov e resolvessem os problemas dali mesmo.
xxAgora, como o pregão foi cancelado, Douglas terá de fazer uma nova licitação, e pensa se vale a pena modificar o texto de alguns trechos do edital. Ele tem pressa porque, caso a Telefônica perca, o pessoal da Prodesp precisa de um ano e meio para trocar 15 mil circuitos de uma operadora para outra.

>> tv por assinatura
A comissão de ciência e tecnologia da Câmara dos Deputados aprova o PL 29

xxNa manhã de 2 de dezembro, o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB/TO) presidiu mais uma reunião da comissão de ciência, tecnologia, comunicação e informática (CCTCI), na Câmara dos Deputados. Conforme a pauta, os deputados votariam a emenda do deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), que altera o Projeto de Lei 29/2007. Contudo, muitos deputados e associações do setor, como a Ancine e a Abert, ainda pediam explicações ou discordavam da emenda. “Era para ser uma votação”, disse Eduardo, “e não outra discussão.” Ele tentou retomar a votação três vezes, mas não conseguiu. Os deputados estavam dispostos a discutir 103 mudanças no projeto. Por fim, ele suspendeu a reunião.
xxDeixou os deputados e as associações discutirem a emenda durante a tarde e retomou a votação às 16 horas. Dessa vez, os deputados votaram. Já era noite quando, por unanimidade, eles aprovaram a maior parte da emenda de Paulo Lustosa. “Foi uma conquista”, diz Eduardo, “após três longos anos de espera.”
xxAo final da reunião, depois de ter aprovado o projeto e a emenda, os deputados lhe entregaram mais cinco propostas de mudanças ao PL 29; eles queriam mudar as normas pelas quais as empresas de TV por assinatura misturam programas brasileiros e estrangeiros. Como nenhuma delas alterava significativamente o PL 29, os deputados da CCTCI marcaram uma reunião extra para discuti-las, no dia 9, uma semana depois.
xxNenhuma das cinco propostas impedia que as operadoras de telefonia vendessem serviços de TV por assinatura, independente de qual tecnologia a ser usada para entregar programas de TV aos clientes. Contudo, até que elas possam entrar nesse mercado, o PL 29 ainda deve tramitar mais tempo no Congresso: duas comissões na Câmara dos Deputados, e depois o Senado. Para Eduardo, o PL 29 só vira lei na metade de 2010, e olhe lá.
xxCom a entrada das operadoras de telefonia, diz Eduardo, o número de assinantes de TV por assinatura, que hoje é de 7 milhões, aumentará. “Nos próximos anos, a infraestrutura para distribuir esses serviços deve aumentar em 25%.”

>> integração - I
O Cepam convence dez prefeituras a participar do projeto de interoperabilidade do Estado de São Paulo...

xxAntonio Celso de Paula Albuquerque Filho, gerente de pesquisa, projetos e inovação do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam), viajou para muitas cidades de São Paulo nos primeiros meses de 2009. Ele visitou gestores de TI de prefeituras, para ver se eles queriam interligar seus sistemas aos do estado. “Os municípios serão os maiores beneficiados.” Em dois meses, 14 prefeituras se interessaram pelo projeto piloto.
xxNos órgãos do estado, contudo, tem sido mais difícil convencer os gestores. Até hoje, diz Celso, eles querem saber se o governador ou os secretários já sabem do projeto; querem saber também por que a ordem não veio de cima para baixo.
xxO projeto começou na Corregedoria-Geral da Administração do Governo de São Paulo, quando Rubens Rizek, o presidente, percebeu que, para fiscalizar bem as finanças do estado, precisava acessar todas as informações a partir de um único sistema. Durante quase dois anos, ele tentou convencer os técnicos a interligar todos os sistemas do estado ou a trocá-los por um sistema já integrado. “Mas era impossível”, diz Celso. “Nenhum técnico considerava um projeto assim viável.”
xxEm julho de 2008, Celso propôs um outro projeto de interoperabilidade: desenvolver interfaces baseadas em arquitetura orientada a serviços (SOA) para integrar os bancos de dados do estado e das prefeituras. Assim, os usuários acessariam todos os dados por meio de um portal, o sistema de gestão integrada. “A ideia é criar conectores para interligar cada processo.” Rubens aceitou.

>> integração - II
... desenvolve interfaces em SOA para interligar quatro processos...

xxEm maio de 2009, dez prefeituras assinaram um termo de cooperação técnica com o Cepam: Campo Limpo Paulista, Caraguatatuba, Jundiaí, Juquitiba, Piracaia, Santos, São Paulo, São José do Rio Preto, Sorocaba e Sud Menucci. Do estado, Celso só convenceu o secretário de finanças e o de educação a participar. Até a metade do ano, Celso e dois técnicos especializados em SOA estudaram os processos dessas duas secretarias e os processos equivalentes nas dez prefeituras.
xxEles selecionaram quatro processos para o piloto: compras e contratos, diárias, convênios e matrículas escolares. Os dois técnicos desenvolveram as interfaces em SOA para automatizar o cadastro de sanções a fornecedores e o cadastro de materiais; e também para matricular um novo aluno e para verificar se um aluno já está matriculado (em escolas do estado ou da prefeitura). Por fim, desenvolveram o sistema de gestão integrada.

>> integração - III
... e promove um seminário para convencer mais órgãos a participar.

xxCelso compartilhou os aprendizados com o projeto piloto durante o 1º Seminário de Gestão Integrada. Para a interoperabilidade dar certo, diz Celso, o Cepam precisa convencer os gestores de TI de outras secretarias e de outros municípios a aderir. Em 26 de novembro, dia do seminário, Celso esperava 120 gestores de TI. Minutos antes da abertura, no entanto, buscou cadeiras às pressas para acomodar 180.
xxO contrato do Cepam com a Corregedoria-Geral termina em janeiro de 2010. Até lá, Celso entrega um modelo sobre como desenvolver as interfaces em SOA para qualquer processo de troca de informações do estado. Depois de janeiro, Celso não desenvolverá mais interfaces em SOA; ele só visitará as prefeituras para acompanhar o trabalho. “Vamos apresentar as necessidades dos municípios ao estado.”
xxRubens, da Corregedoria-Geral, ainda não definiu quem gerenciará o projeto depois que o contrato com o Cepam terminar. O trabalho, diz Celso, deve ficar a cargo da empresa de processamento de dados do estado (a Prodesp), em parceria com os gestores de TI das secretarias e prefeituras. “O governo só tornará todos os processos interoperáveis em dois ou três anos.” Pelas contas dele, se os funcionários que gerenciam as compras e contratos pararem de digitar informações iguais em diversos sistemas diferentes, o estado economizará R$ 24 milhões por mês.

>> formação
São Paulo terá a primeira escola técnica de gestão pública do Brasil

xxOs diretores do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) e do Centro Paula Souza assinaram um acordo para criar a primeira escola técnica de gestão pública do Brasil. Os professores e os 160 alunos ficarão num prédio anexo ao Cepam, dentro da Universidade de São Paulo.
xxEm fevereiro de 2010, começam as aulas das duas primeiras turmas, de 40 alunos cada uma, uma de manhã e outra à noite. Esses primeiros 80 alunos já passaram no vestibular e já fizeram a matrícula.
xxAs aulas serão ministradas por professores do Centro Paula Souza e do Cepam — já acostumados a dar aulas para gestores públicos, principalmente de municípios. Os diretores do Cepam ficaram encarregados de comprar os produtos de informática, que serão usados durante as aulas.
xx“O prédio terá tudo de mais moderno”, diz Maria de Fatima Porcaro, gerente de TI do Cepam. Ela pretende comprar 20 lousas digitais, instalar uma rede sem-fio e, se tudo der certo, comprar notebooks para emprestá-los para alunos e professores. Os notebooks, ela diz, devem ter “perfil corporativo”, para sobreviver a quedas e à derrubada de líquidos no teclado, e para suportar todos os sistemas das aulas. Os alunos poderão levar os notebooks para casa, para fazer os trabalhos; depois de formados, os alunos terão o direito de comprar as máquinas.
xxO curso deve durar um ano e meio, e o aluno terá de fazer estágio de seis meses.

>> saída criativa
A cidade de Taboão da Serra pede R$ 3 milhões ao Minicom. E pode conseguir.

xxDonizetti da Costa, diretor de TI e modernização da prefeitura de Taboão da Serra (SP), há anos trabalha com pouca gente e com nenhum dinheiro próprio — pois a área de TI da prefeitura de Taboão não tem orçamento, nem plano diretor. “A TI sempre foi só uma sala com três pessoas, que mantêm os computadores.”
xxMas, recentemente, Donizetti descobriu o Ministério das Comunicações. Ele pesquisava jeitos de arranjar verba no governo federal, achou que tinha bons projetos, e submeteu alguns deles ao Minicom. Pediu R$ 3 milhões. Dois técnicos do Minicom o visitaram em outubro para vistoriar as instalações e conferir os projetos. “Eles nos deram algumas dicas de como gastar menos.”
xxDonizetti quer usar os R$ 3 milhões para construir um CPD, refazer a rede local da prefeitura e interligar a prefeitura e as secretarias com 3,5 quilômetros de cabos de fibras óticas. Na segunda fase, Donizetti pretende instalar mais 24 quilômetros de cabos para interligar o restante das secretarias e nove enlaces de rádio para conectar escolas e postos de saúde à rede. “Quando a rede estiver pronta”, diz Donizetti, “queremos dar Internet de graça para a população.”
xxSe o Minicom aprovar o projeto ainda em 2009, Donizetti terá verba para os projetos mais importantes de Taboão da Serra já no início de 2010 (até o dia 8, o Minicom ainda não havia aprovado o projeto). Contudo, nos últimos dias de novembro, Donizetti recebeu uma ligação de um gerente da Caixa Econômica Federal (que administra os recursos do Minicom). “Já fui convocado a abrir uma conta-corrente para receber o dinheiro.”
xxContudo, até o dia 8 de dezembro, o Minicom ainda não havia aprovado o projeto.

>> mercado - I
A Avaya quer crescer acima do mercado em 2010...

xxNo mercado de telecomunicações, se a empresa estiver no terceiro lugar, ela corre o risco de desaparecer. Por isso, Cleber Morais, o presidente da Avaya no Brasil, se esforça para manter a empresa nas primeiras posições. Garantir a “sustentabilidade da empresa”, diz Cleber, preocupa qualquer presidente.
xxMas a Avaya tem se saído bem. A Nortel, um dos seus principais concorrentes, pediu concordata em vários países, e a Avaya comprou a divisão de produtos corporativos do concorrente (que incluiu a divisão de produtos para o governo). No Brasil, por causa da crise econômica, vários clientes terceirizaram as operações de informática, telefonia e atendimento ao consumidor; para atendê-los, os datacenters e os call centers compraram máquinas e sistemas da Avaya.
xxA operação no Brasil, diz Cleber, foi a única que se manteve lucrativa durante a crise, não demitiu funcionários nem cortou investimentos. Por conta do bom resultado, Cleber foi convidado, no final de 2008, para participar das reuniões do conselho internacional — foi a primeira vez que um presidente brasileiro participou da reunião e, depois disso, ele já participou de mais duas.
xxEm 2010, ele quer que a Avaya cresça acima do mercado — “dois dígitos”. Para isso, reorganizou os vendedores. Um grupo continua focado nas 200 grandes contas; esse grupo, de 28 pessoas, ganhou mais quatro vendedores. Outro grupo, um novo, com oito vendedores, vai atrás de novos clientes, principalmente de médias empresas.

>> mercado - II
... para isso, vende para médias empresas.

xxEntre outros produtos, eles vão vender o Avaya Aura, um sistema para interligar e gerenciar PABX de diferentes marcas. Com ele, o cliente ainda instala várias funções de telefonia via IP: ligações via Internet, videotelefonia, roteamento de ligações ou de sessões de comunicação com base na presença (para o celular, se o usuário estiver disponível no celular, ou para o Skype, se o usuário estiver viajando, para o Messenger, se o usuário preferir).
xxA Avaya, diz Cleber, vai vender por meio de revendedores. Hoje, técnicos de 15 revendedores recebem treinamento para instalar o Aura. E Cleber quer incentivá-los a construir produtos para os clientes de médio porte, de vários segmentos. Um parceiro, por exemplo, já criou um sistema para o setor da saúde; em breve, a Avaya também terá produto para o setor do governo. “Reforçamos a equipe de Brasília: o escritório tinha quatro pessoas, e colocamos mais três.”
xxManter a empresa saudável dá trabalho, diz Cleber, mas ver bons resultados é recompensador.

>> pop-up desbloqueado
Onde é que eu estava mesmo?

xxQuanto tempo uma pessoa demora para se recuperar de um alarme, ou de uma janela de Internet que pula na frente dela? Até que ponto uma janela de pop-up atrapalha? Dois cientistas da Universidade de Cardiff, Helen Hodgetts e Dylan Jones, organizaram vários testes para medir.
xxEles deram uma tarefa simples, para ser cumprida em sete passos, para centenas de pessoas. Cada pessoa usava o computador para cumprir a tarefa. Uma parte dessas pessoas cumpriu toda a tarefa, ou todos os sete passos, sem interrupção. E uma parte cumpriu a tarefa com uma interrupção aqui e ali — um alarme visual, ou um pop-up. Cada interrupção durava 5 segundos.
xxResultado: quem pôde trabalhar sem interrupções cumpria a tarefa em 10 minutos, mas quem foi interrompido duas vezes cumpria a tarefa em 11 minutos, mais ou menos; ou seja, gastava 50 segundos extras, além da interrupção de 10 segundos, e isso para retomar uma tarefa simples. Helen diz que, logo depois da interrupção, a pessoa precisa achar de novo dois conjuntos importantes de informações: Em que ponto eu estava? O que eu pretendia fazer mesmo a partir desse ponto?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

>> intragov - I
O governo de São Paulo faz o pregão para a nova rede estadual...

xxO contrato que o estado de São Paulo tem com a Telefônica, pelo qual interliga os órgãos públicos nos 645 municípios do estado, vence em janeiro de 2011. Para manter o serviço sem interrupção, Douglas Viudez, diretor de produção e serviços da Prodesp, a empresa de informática do estado, precisa contratar a nova rede logo.
xxA Telefônica fornece a rede desde 2001; se ela ganhar novamente a licitação, só terá de fazer ajustes. Mas, se outra operadora ganhar, a nova operadora terá de instalar equipamentos, conectá-los e testá-los para fazer funcionar os 15 mil circuitos que formam a Intragov — antes que o atual contrato vença. É trabalho para um ano e meio.
xxNo último pregão da Intragov, em 2005, participaram a Telefônica, a Embratel e a Telemar (Oi). Os representantes das operadoras ficaram no auditório da Prodesp por 11 horas, e deram 92 lances. “Era uma ligação para o México e outra para a Espanha”, lembra Douglas. Cada representante demorava uma hora e meia para dar o lance. E o pregoeiro só encerou o pregão quando percebeu que a proposta era vantajosa para o estado. No fim, o estado fechou um contrato R$ 600 milhões mais barato que o estimado: contratou o serviço por R$ 245 milhões por cinco anos.
xxNo edital do próximo leilão, Douglas pede quase as mesmas coisas que pediu no edital anterior. “É uma continuidade do serviço”, ele insiste. De diferente, cita três pontos.

>> intragov - II
... exige da operadora um portal para encomendar serviços...

xxUm é aumentar a velocidade máxima da Intragov, de 1 Gbps para 2,5 Gbps. Outro é exigir que as operadoras aceitem ordens de serviço via portal, assim como coloquem no portal todas as informações sobre a gestão da rede. Em 2005, ele já teve essa ideia. Pediu aos técnicos da Telefônica um portal para que os usuários da Intragov pedissem serviços e acompanhassem os pedidos. Os técnicos obedeceram — contudo, se a Telefônica perder o pregão, levará embora o portal e todas as informações contidas nele.
xxDouglas decidiu que é melhor o estado ter seu próprio portal, para ficar com as informações dentro da Prodesp. Os técnicos começaram a desenvolver o portal internamente; e a operadora que ganhar a licitação será obrigada a alimentá-lo com informações.
xxO terceiro ponto é apressar o atendimento. Hoje, quando a Intragov sai do ar, ou quando funciona mal, os clientes e os técnicos da Prodesp ligam para um 0800 destinado ao governo de São Paulo, abrem um chamado e esperam a solução. Mas o processo demora, e a interação é sempre por telefone.

>> intragov - III
... exige técnicos da operadora dentro da Prodesp...

xxDouglas visitou o Banco do Brasil, em Brasília, e o Pão de Açúcar, em São Paulo, e viu que os executivos de TI dessas empresas resolviam rápido os problemas com a rede, pois mantinham dentro da própria área de TI alguns engenheiros da operadora. O Pão de Açúcar mantinha dois; o Banco do Brasil, uns cem. Esse grupo, ele percebeu, trabalha mais perto do cliente, então conhece melhor a rede e as necessidades, e resolve os problemas mais depressa. Além disso, os engenheiros resolvem os problemas só daquele cliente, e não de todos os que usam a rede da operadora. Ele gostou da ideia e colocou isso no edital.
xxA operadora vencedora terá de colocar, pelo menos, oito engenheiros na Prodesp, além dos sistemas de gestão para que eles visualizem toda a Intragov e resolvam os problemas dali mesmo. “Estamos abrindo um espaço aqui para montar as posições de trabalho.”
xxO pregão da nova Intragov estava marcado para outubro, mas, a pedido da Embratel, da Telefônica e da Intelig, Douglas adiou o pregão para novembro. A alegação é sempre a mesma: a proposta é complexa, requer uma logística complicada, o tempo é curto. “E a gente, para estimular a concorrência, tem dado os prazos.” O pregão ficou marcado para ontem, 1° de dezembro, às 9 horas, no auditório da Prodesp — e foi gravado.

>> intragov - IV
... mas o pregoeiro suspende o pregão até sexta-feira.

xxOs representantes da Telefônica e da Embratel entregaram sua proposta de preço ao pregoeiro. O da Embratel, no entanto, não cumpriu o ritual pelo qual a empresa reafirma que sua proposta está de acordo com os termos do edital — e a operadora foi desclassificada.
xxO representante da Telefônica baixou três vezes o preço inicial da proposta, mas nenhuma delas satisfez o pregoeiro, que decidiu suspender o pregão até sexta-feira, 4. Diante da situação, ele quer avaliar melhor a proposta da Telefônica.

>> lei da transparência – I
A prefeitura de Porto Alegre só envolve a Procempa no projeto três meses antes do prazo...

xxFaltavam poucos dias para o fim de outubro, quando Zilmino Tartari, diretor técnico da Procempa, a empresa de processamento de dados de Porto Alegre, foi convocado para uma reunião. Sem saber, ele já era parte do grupo de trabalho do portal da transparência. Em 15 de julho de 2009, o prefeito sancionou a lei 10.728, que obrigou todos os órgãos a divulgar as finanças na Internet. “A Secretaria da Fazenda”, diz Zilmino, “demorou a entender a lei e escrever o escopo do projeto.” Ao final da reunião, Zilmino assumiu a integração dos bancos de dados (das secretarias e empresas) e o desenvolvimento do novo portal. Mas só tinha três meses para entregar tudo.
xxAté o portal virar lei, a prefeitura de Porto Alegre tinha poucos dados na Internet. Nos últimos anos, algumas secretarias colocaram serviços no portal da prefeitura, como imprimir a segunda via da conta de água, solicitar serviços de manutenção urbana ou alvarás de funcionamento. A prefeitura só coloca esses serviços na Internet, diz Zilmino, porque eles reduzem custos ou aumentam a arrecadação. “Mas existem algumas informações”, diz Zilmino, “que o governo só disponibiliza quando se trata de uma exigência.”
xxNo caso do portal da transparência, foi o presidente Lula quem exigiu. Em 27 de maio de 2009, ele sancionou a lei complementar 131, que obriga o governo federal, os estados e municípios a colocar as finanças na Internet.

>> lei da transparência – II
... e agora todos se apressam para cadastrar as finanças em sistemas e interligar os bancos de dados.

xxNo início de novembro, Zilmino colocou os técnicos para estudar os portais de transparência de outras prefeituras e se reuniu de novo com os funcionários das secretarias; ele não achou algumas informações nos sistemas e pediu ajuda. Então, teve uma surpresa: muitos dados, como os valores recebidos ou gastos nos convênios, a folha de pagamento das empresas terceirizadas e detalhes de licitações, não estavam em nenhum banco de dados. “Não havia processos para acompanhar essas informações”, diz Zilmino, “então ninguém cadastrava nos sistemas.” Ele também descobriu que as informações da prefeitura e de suas empresas estavam espalhadas por bancos de dados muito diferentes.
xxEnquanto os funcionários da prefeitura desenham novos processos, Zilmino já colocou os dados de folha de pagamento, orçamento, além de receitas e despesas (que já estavam no sistema de gestão da prefeitura) num banco de dados único, armazenado no CPD da Procempa.
xxEm paralelo, três técnicos da Procempa pressionam os executivos de TI das empresas da prefeitura, como a de limpeza urbana (DMLU), a de água e esgotos (DMAE), para entregar os bancos de dados completos no prazo. “Embora a gestão não esteja com a TI”, diz Zilmino, “só atenderemos o prazo se a equipe for pró-ativa.”
xxPara cumprir a lei 10.728, Zilmino gastará R$ 350 mil. Ele deve publicar a primeira versão do portal da transparência de Porto Alegre na Internet até 15 de janeiro de 2010. “Entregaremos parte das demandas depois.” Para evitar que o tribunal de contas multe alguma secretaria, Zilmino planeja pedir ao prefeito mais quatro meses.

>> nem agora foi - I
Lula manda o governo se entender, antes de escolher o Plano Nacional de Banda Larga...

xxO presidente Lula conheceu as propostas para o Plano Nacional de Banda Larga, no dia 24 de novembro. A reunião começou às 16h30; estavam presentes, entre outros, o ministro das Comunicações, Hélio Costa; a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo; e o da Fazenda, Guido Mantega; além do secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna; e o secretário do Ministério de Ciência e Tecnologia, Augusto Gadelha. Hélio Costa entregou ao presidente um documento de 197 páginas encadernadas, em cuja capa se lia Um Plano Nacional para Banda Larga, o Brasil em Alta Velocidade.
xxHélio Costa representa uma linha dentro do governo que defende vários tipos de incentivos, com os quais as operadoras levariam banda larga mais barata a mais lugares. Segundo seu plano, até 2014, o Brasil chegaria aos 30 milhões de acessos fixos de banda larga e aos 60 milhões de acessos móveis. Haveria linhas de crédito do BNDES para as operadoras, assim como recursos do Fust e do Funttel, assim como menos impostos, assim como desconto nas licenças de SCM. O governo gastaria R$ 26 bilhões, e as operadoras, R$ 49 bilhões.
xxDepois de deixar o documento, Hélio Costa saiu.
xxO resto do grupo continuou na reunião até por volta das 18h30. Discutiram vários aspectos; na parte de infraestrutura, Rogério Santanna apresentou um cenário para construir os anéis principais da rede (backbone) e os enlaces para interligar os anéis (backhaul). Ele representa a outra linha dentro do governo, que defende uma rede própria, montada e administrada pelo governo, com a qual o governo levaria banda larga aonde quisesse. O presidente Lula quis saber como as conexões chegariam na casa das pessoas, mas Rogério Santanna não tinha detalhado essa parte, a da última milha.
xxPor fim, Lula mandou todo mundo se entender. “Com operadoras ou sem operadoras”, diz Rogério Santanna, “o presidente quer que o governo tenha uma posição única.”
xxO grupo deve se reunir novamente até 18 de dezembro.

>> nem agora foi - II
... e Rogério Santanna promete chamar os membros da Abep para ajudar no plano.

xxAntes de apresentar o plano ao presidente, Rogério Santanna se encontrou com os representantes da Abep, a associação dos diretores das empresas estaduais de informática (como a Prodesp em São Paulo).
xxHá anos, os diretores das empresas estaduais tentam criar uma Infovia Nacional, uma rede interligada por onde circulariam informações e serviços de qualquer órgão de governo. Todos os estados já têm sua própria rede, desconectada das outras. Por isso, em dezembro de 2007, eles apresentaram uma proposta para Sérgio Rezende, o ministro da Ciência e Tecnologia — mas a proposta não foi levada à frente pelo ministro. Dessa vez, Rogério Santanna também não chamou nenhum deles para participar do grupo de trabalho. No entanto, em 28 de outubro, os diretores da Abep conseguiram uma reunião com ele.
xx“Com a proposta de usar fibras apagadas da Eletronet e de retomar a Telebrás”, diz Paulo Coelho, presidente da empresa de informática do Rio de Janeiro (Proderj) e presidente do conselho de associados da Abep, “a gente convocou uma reunião para mostrar nosso interesse em participar do projeto.”
xxPaulo foi ao gabinete de Rogério Santanna, em Brasília, acompanhado por René Lapyda, secretário executivo da Abep e funcionário da empresa de informática de São Paulo (Prodesp), e por Luiz Fernando Caldart, vice-presidente executivo da Abep e presidente da empresa de informática do Mato Grosso (Cepromat).
xxRogério manteve a posição de que primeiro o governo precisa chegar a um consenso, e fez uma promessa: assim que o governo Lula decidir o que quer, Rogério chamará os membros da Abep para ajudar no plano.
xxPaulo, por sua vez, colocou as empresas estaduais à disposição. Os estados têm poucas fibras óticas para ajudar na formação da rede, mas os associados da Abep poderiam gerenciar a rede em nome do governo — como alguns estados já fazem com a RNP, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.
xxA Abep “vê com bons olhos” a proposta de Rogério Santanna, de usar as fibras apagadas. “É um investimento que já foi feito e precisa ser usado.” Mas, independente da linha do governo, a Abep quer participar do projeto, e assim reduzir os gastos com telecomunicações e aumentar o cardápio de serviços.
xxNuma conta rápida, Paulo diz que as empresas associadas à Abep gastam em média R$ 200 mil por mês com telecomunicações. “A condição atual limita os investimentos com governo eletrônico, principalmente para o cidadão que mora mais afastado.”

>> atrás de dinheiro - I
A prefeitura de Vitória arrecada menos com o ICMS...

xxQuando surgiu a crise econômica em setembro de 2008, Pedro Bolzani, subsecretário de TI da prefeitura de Vitória (ES), ajudou o prefeito João Carlos Coser a rever o orçamento recém-escrito. “Tivemos que colocar o pé no freio, porque o estado nos repassou 10% menos ICMS.” Na época, Pedro planejava cinco projetos de TI para 2009, entre eles instalar 60 quilômetros de cabos de fibras óticas (para concluir a rede de dados da prefeitura) e instalar 40 câmeras de segurança e um centro de operações de segurança na cidade. Eram promessas de campanha. Os editais de licitação só ficariam prontos no final de 2009, então Pedro não se preocupou. “O prefeito manteve todos os projetos de TI.”
xxContudo, a prefeitura de Vitória arrecadou ainda menos nos meses seguintes: o ICMS rendeu R$ 27 milhões em julho, R$ 3,5 milhões a menos que em janeiro. Numa nova reunião, o prefeito escolheu só os projetos mais importantes para a prefeitura. No caso da TI, a rede de dados e as câmeras de segurança.
xxOs outros projetos de TI ficaram para 2010: comprar um sistema de backup e um de gestão, aumentar a capacidade do armazém de dados (storage), construir uma sala-cofre para o CPD, atualizar o sistema de mapas digitais (GIS). Pedro pensava em como viabilizar esses projetos, quando se reuniu com funcionários do BNDES para assinar uma papelada; eles iam encerrar um contrato a respeito de verba do Programa de Modernização da Administração Tributária (PMAT). Então, Pedro imaginou uma alternativa.

>> atrás de dinheiro - II
.... e recorre ao BNDES para investir em TI em 2010.

xxComo a prefeitura de Vitória já pagou a antiga dívida do PMAT, Pedro poderia submeter outro projeto ao BNDES. “Foi uma coincidência descobrir isso.” Em agosto, ele colocou três gerentes para escolher os projetos principais de TI, para incluí-los todos num projeto maior, financiado pelo PMAT.
xxEnquanto isso, Pedro terminou o edital da rede de dados: em 10 de novembro, ele licitou os 60 quilômetros de cabos, o serviço de instalação dos cabos e o serviço de manutenção por dois anos; incluiu nessa licitação rede local para 40 escolas. A 7Lan e a F&S participaram da licitação, mas só a 7Lan se classificou. Como a F&S entrou com recurso, Pedro ainda não pôde abrir as propostas comerciais. Ele pretende pagar R$ 1,42 milhão ou menos pelo projeto.
xxNa sexta-feira, 20 de novembro, os três gerentes listaram quais projetos a prefeitura deve submeter ao PMAT. “A maior parte dos recursos será usada para melhorar os serviços de TI.” Pedro levou os projetos para a assessoria de captação de recursos da prefeitura; vai precisar de R$ 10 milhões.
xxPedro prepara o texto final do projeto, enquanto os assessores reúnem as informações sobre as finanças da prefeitura. Eles submeterão o projeto até o final de 2009; assim, caso o BNDES o aprove, Pedro receberá a verba até março de 2010. “Vamos usar um dinheiro barato para a prefeitura”, diz Pedro. “E a TI terá verba, independente da arrecadação.”

>> incentivos fiscais
O governo ganha mais do que todos na Zona Franca de Manaus


xxUm pesquisador da USP, Jorge de Souza Bispo, estudou quanto o governo embolsa com a Zona Franca de Manaus (ZFM), e se surpreendeu: o governo embolsa mais que empregados e que proprietários de empresas, o que é normal; apesar dos incentivos fiscais, contudo, embolsa mais na ZFM do que no resto do Brasil.
xxNa ZFM, as empresas vão atrás de descontos no ICMS, no IPI e no imposto sobre importações. 400 empresas se instalaram na ZFM, mas 70 empresas apenas respondem por 90% do faturamento total da ZFM. Jorge usou informações de vários bancos de dados, tanto do governo quanto de instituições privadas, e comparou os vários dados com um estudo completo de 30 empresas da ZFM e de 30 empresas equivalentes fora da ZFM. “A conclusão foi surpreendente”, diz Jorge. “É um paradoxo a ZFM distribuir mais riquezas para o governo, que deixa de arrecadar dinheiro com as isenções fiscais.”


>> e-saúde
Hospitais não conseguem recuperar o que investem em informática

xxEntão, investir em computadores reduz custos e melhora a administração? Não nos hospitais modernos, responde David Himmelstein, professor da Escola de Medicina de Harvard.
xxEle estudou os dados de 4 mil hospitais nos Estados Unidos, de 2003 a 2007, buscando evidências de que o investimento em informática reduz custos ou melhora a administração — mas não achou nenhuma evidência. Nos hospitais mais bem administrados, até mesmo nos hospitais com os melhores sistemas de informática, o custo da administração até aumentou um pouco de 2003 para 2007.
xxHimmelstein já foi diretor de informática no Hospital da Universidade de Cambridge, no estado de Massachusetts. Nesse estudo, já publicado no American Journal of Medicine, ele não se preocupou em produzir explicações. Ele não sabe dizer por que os executivos dos hospitais foram incapazes de reduzir custos ou de melhorar a gestão por meio de informática — mas pretende investigar as causas num outro estudo, mais para a frente.
xxVai investigar duas hipóteses, entre outras: o hospital gasta mais ao comprar, instalar e manter sistemas novos de informática do que consegue economizar com esses sistemas; e o hospital acha bons sistemas para informatizar os aspectos administrativos, mas não acha bons sistemas para informatizar os aspectos clínicos — onde estão os maiores ganhos. (Quando um médico visitante escolhe a marca da prótese a implantar num paciente, ele toma uma decisão clínica, que pode não ser rentável para o hospital.) É difícil mesmo informatizar os aspectos clínicos. O hospital teria de apaziguar muita gente, trabalhando dentro e fora do hospital, com interesses bem distintos.

>> informática verde
O QPACE, da IBM, é o supercomputador que mais economiza energia.

xxA IBM e um consórcio de universidades europeias construíram o supercomputador com o menor consumo de energia elétrica do mundo, segundo a lista da organização Green500. Ele se chama QPACE e calcula 26 trilhões de operações matemáticas a cada segundo (26 teraflops) — por bastidor. Em cada bastidor, a IBM e o consórcio instalaram 256 processadores PowerXCell 8i (desenvolvido com a Sony para o PlayStation 3), que consomem 1 watt para calcular 723 megaflops.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

>> crise – I
A prefeitura de Campinas arrecada 10% a menos com impostos e para de comprar...

xxLuis Felizola, diretor de informatização da prefeitura de Campinas (SP), recebeu o programa de governo de Hélio de Oliveira Santos, o prefeito reeleito, em fevereiro de 2009. Ao lado da lista com mais de 200 projetos, Luis rabiscou projetos de TI relacionados. “Criamos um programa de TI.”
xxDurante os meses seguintes, Luis organizou sua equipe e os técnicos da Informática de Municípios Associados (IMA); eles deveriam comprar e instalar novos computadores, implementar uma agenda via Internet de consultas nos postos de saúde (o Siga-Saúde), instalar um sistema de gestão de notas fiscais eletrônicas e também automatizar a cobrança do imposto sobre serviços (ISS).
xxLuis cumpriu o cronograma de projetos até julho, quando a prefeitura arrecadou 10% a menos com impostos por causa da crise. Os reflexos apareceram logo: em vez de receber o 13º salário em julho (como nos últimos dois anos), Luis só vai recebê-lo no final do ano. Além disso, foi avisado de que não poderia mais comprar computadores. “Tudo estava previsto no orçamento, mas o dinheiro não entrou.”
xxSeguindo ordens do prefeito, Luis pararia de comprar equipamentos e software para a área de TI, mas não pararia alguns dos projetos. Ao contrário, deveria entregá-los antes do prazo combinado. Esses projetos ajudariam a prefeitura a arrecadar mais.

>> crise – II
... mas coloca as dívidas dos moradores na Internet e recupera R$ 30 milhões em três meses.

xxEm julho, Luis levou a lista rabiscada para uma reunião com o pessoal da IMA, e apresentou os projetos mais urgentes. Um sistema colocaria na Internet o nome de moradores com dívidas com a prefeitura; outro sistema ajudaria a prefeitura a gerenciar notas fiscais eletrônicas. Luis não tinha gente suficiente para implementar esses projetos urgentes e, em paralelo, concluir os outros que já estavam em andamento. Por isso, pediu mais técnicos ao pessoal da IMA. “Coloquem mais gente para trabalhar”, disse Luis, “senão não teremos como pagar vocês.”
xxCom mais cinco técnicos da IMA, Luis entregou em agosto o sistema de dívidas na Internet, e o prefeito lançou uma campanha para incentivar os moradores de Campinas a pagar as dívidas com a prefeitura. No portal, os moradores veem o valor, simulam formas de pagamento, imprimem os boletos. A campanha termina em novembro, mas a prefeitura já recuperou quase R$ 30 milhões até agora.
xxAté dezembro, os técnicos da IMA terminam o sistema de gestão de notas fiscais eletrônicas. Enquanto isso, Luis revisa novamente a lista rabiscada; a prefeitura arrecadará menos e já avisou que o orçamento de TI será 5% menor. “O reflexo da recuperação demorará a vir.”

>> computação paralela
Bull e Petrobras montam o maior computador da América Latina — com 250 teraflops.

xxA Bull vendeu o maior supercomputador da América Latina até agora — por US$ 2 milhões. O comprador é o centro de pesquisas da Petrobras (Cenpes). Alberto Lemos Araújo Filho, presidente da Bull, organiza seu pessoal para que a instalação comece em dezembro.
xxO supercomputador terá 1.100 processadores Intel (para os cálculos) e 120.000 processadores Nvidia (para o tratamento de imagens em três dimensões). O pessoal do Cenpes pretende usar os 250 teraflops do novo supercomputador para criar ambientes de realidade virtual — e simular operações complicadas ou perigosas antes de arriscar equipamentos, consumíveis e gente de verdade.
xx(Se quisesse a loucura de empregar pessoas para calcular num segundo o que esse novo supercomputador calcula, o Cenpes teria de empregar 25 trilhões de pessoas, cada uma delas com uma calculadora comum; teria de esperar a população da Terra crescer 3.600 vezes...)
xxInstalar e fazer a nova máquina funcionar é a parte fácil do projeto, diz Alberto. Logo depois, vem a parte difícil: escrever software para tantos processadores em paralelo. “Toda a programação precisa ser diferente.” Software escrito para computadores comuns não aproveita as características de computadores paralelos. (Assim como, para empregar 25 trilhões de pessoas com sucesso, o Cenpes teria de colocar bilhões de pessoas para organizar as rodadas de cálculos, distribuir contas para cada pessoa e recolher os resultados.)
xxEsse projeto representa o que Alberto espera de seu pessoal em 2010 — gente capaz de fechar negócios difíceis de pôr em prática, mas que, uma vez em prática, deem bons ganhos para a Bull e para o cliente.

>> prêmio
Conheça os Profissionais de Tecnologia da Informação 2009 — categoria governo.

xxOcorreu ontem, 17, a cerimônia de entrega do Prêmio Profissional de Tecnologia da Informação, organizado pela Plano Editorial. 50 profissionais de TI receberam cada um seu prêmio, inclusive os cinco profissionais da categoria governo.
xxSão eles: Ademir Milton Piccoli (da Procergs), José Antônio Eirado Neto (do Banco Central do Brasil), Marcos Vinicius Ferreira Mazoni (do Serpro), Marcos Tadeu Yazaki (da Prodesp) e Nelson Costa Cardoso (da Petrobras Distribuidora).
xxVeja aqui o perfil de cada desses profissionais, e vote num deles; o mais votado ganhará um perfil de duas páginas no Informática Hoje de janeiro.