quarta-feira, 9 de setembro de 2009

>> h1n1 – I
A Secretaria de Saúde de SP desconhecia os casos de gripe suína...


Andre Luiz de Almeida, diretor de tecnologia da Secretaria de Saúde de São Paulo, foi avisado na sexta-feira, 31 de julho, de que o secretário de Saúde publicaria na quinta, 6 de agosto, um ato obrigando os hospitais a mandar informações sobre os casos de gripe suína. Eles colocariam as informações num sistema — que Andre, até então, nem sabia que teria de desenvolver. Ele tinha quatro dias úteis para fazer o Censo Hospitalar.
O secretário de saúde de São Paulo criou o Gabinete da Gripe para acompanhar os casos de H1N1 no estado. Mas os médicos do gabinete descobriram que não tinham informações para passar ao secretário: não sabiam como a doença evoluía, se o número de mortes aumentava ou diminuía, o perfil das pessoas contaminadas.
Até então, os hospitais não eram obrigados a mandar informações sobre os casos de gripe suína; e a secretaria de saúde só descobria quem tinha morrido da gripe depois de receber uma cópia da certidão de óbito, uma semana depois da morte.
Andre colocou quatro técnicos para desenvolver o sistema; e o secretário de saúde publicou o ato obrigando os hospitais a repassar as informações para o Gabinete da Gripe.

>> h1n1 – II

... então os técnicos desenvolveram um sistema...


Nem Andre nem os técnicos sabiam exatamente quais informações o formulário deveria incluir, então ao longo do tempo eles tiveram de mexer nas entradas dos dados. "Coisa que a gente achava importante não era muito importante, daí fizemos adaptações."
O Censo Hospitalar serve para controlar e acompanhar os pacientes atendidos em prontos-socorros ou internados; para acompanhar os exames, o diagnóstico e a entrega dos remédios. Os médicos dos hospitais de referência (16 públicos e 12 privados) todos os dias atualizam as informações sobre os pacientes.
Os técnicos integraram o Censo Hospitalar ao sistema de análises estatísticas (BI), ao de georeferenciamento, e ao de distribuição de remédios da Secretária de Saúde. "Toda vez que um médico prescreve o medicamento, a gente pode repor os estoques."

>> h1n1 – III

... para descobrir que a gripe é fatal em pessoas de 25 a 30 anos.


Com o Censo, os médicos do Gabinete da Gripe descobriram que muita gente morreu de gripe suína, principalmente pessoas de 25 a 30 anos — e teoricamente saudáveis. Os aidéticos até agora não pegaram gripe suína, e ninguém sabe explicar o porquê. Quem pega a gripe suína e depois piora em geral está sendo atendido em hospitais privados; e a maioria dos casos está nas grandes cidades. E, quando alguém morre de gripe suína, os médicos do Gabinete da Gripe ficam sabendo na hora.
Como a gripe suína ainda não tem tratamento, os médicos do gabinete estão usando o sistema para disseminar boas práticas. "Um médico fez tal coisa e o paciente melhorou rápido", explica Andre, "daí o médico do gabinete entra em contato com outros médicos e conta o que aquele médico fez."
Para ajudar a disseminar as boas práticas, Andre e os técnicos fizeram várias videoconferências entre os médicos; e criaram o Disque Gripe, uma central 24 horas, para a qual os médicos ligam e tiram dúvidas com algum médico do Gabinete da Gripe.
Na segunda-feira, 14, Andre se reúne com os técnicos e com os médicos do gabinete para avaliar o sistema e saber se o projeto será ampliado para outros hospitais.